quarta-feira, 31 de março de 2010

Nuvens de chumbo

Hoje, dia 31 de março, faz duas décadas que o Brasil foi invadido pela nuvem negra do golpe militar de 1964.
Esta data não deve se apagar das nossas memórias (não importa se você foi um dos que não viveu o período); a gente não deve se cansar de jogar luz encima desta lembrança que modificou o pensamento e o comportamento do nosso povo. As cicatrizes ainda estão ai expostas nas recordações, na história do país e na vida das pessoas que sentiram o amargo gosto do cego totalitarismo dos velhos chefes e generais.
Quem se interessar mais estude a nossa história para entender como tudo começou e o que o Brasil se tornou naqueles difíceis anos de opressão, ditadura e militância política dos aguerridos do povo.
Acho que as novas gerações que vieram após este triste episódio, têm se mostrado mais tolerantes e permissivas com os erros e a desfaçatez pública dos nossos governantes. Os nossos antecessores reagiram no mesmo tom da ignorância dominante da época, mas não é porque as coisas melhoraram neste sentido que temos que nos calar e seguirmos como mansas ovelhas na fila da tosquia. Se a violência cala, conservemos em nós a indignação, a capacidade de discernir e, sobretudo a força justa do grito.
"...viver ta me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais." (Moska)

sábado, 27 de março de 2010

Feliz daquele que conhece o amor e a atenção.
Se o homem é realmente resultado do meio em que vive, seguindo a bandeira da análise sociológica, devemos nos alegrar pela nossa doce loucura que não nos permite ferir, matar, torturar e depois ainda "gozar". Preservemos a nossa moral intacta ou em permanente contrução, buscando construir em nós sentimentos mais próximos do amor e cada vez mais distantes do lado negro que procuramos neutralizar. Digo isso para os homens conscientes da sua fraqueza e mais dedicados a polir o material precioso que carrega dentro de si, dando forma e lustrando para que ele aumente sua luz e seu brilho.
Malucos beleza pela paz.
Malucos beleza pelo bom convívio entre diferentes e iguais.
Malucos beleza à favor da tolerância.
Malucos beleza pelo amor e a abundância.
Renato Russo, que hoje faria 50 anos, que deu música e voz pelo respeito e igualdade entre os homens, assim escreveu:
...É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há
Me diz, por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo...
E assim reflito: que eu consiga encontrar mais motivos para sorrir e, se por alguma razão a desilusão me visitar, que eu não me dedique a distribuí-la a ninguém e esteja em condições de encontrar o alívio naqueles que me olham com amor.

Canção grata

Por tudo o que me deste
inquietação, cuidado
um pouco de ternura
é certo, mas tão pouca
Noites de insônia,
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada.

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia, aceita
A minha gratidão

Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor, obrigada
Obrigada por tudo o que me deste

Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia, aceita
A minha gratidão

Florbela Espanca

Preciosamente triste

Preciosa é o reflexo de muita gente que cresce em lares onde o amor e a educação nunca foram visitas cativas. O animal acuado e agredido se submete ao jugo, mas também ataca. Uma história exlusivamente americana? Não, uma história brasileira também.

terça-feira, 23 de março de 2010

Kick ass

Essa é a mais nova canção deste cara chamado Michael Holbrook Penniman, mais conhecido como MIKA, que curto bastante. Neste clipe, com participação do ator Nicholas Cage, ele faz uma referência aos super heróis das histórias em quadrinhos que inspiraram o cinema, como o Homem Aranha, por exemplo. Vai aqui a dica de um outro clipe da canção Blame it on the girls, onde ele está a cara do ator Zeu Brito (de Sexo Frágil) dentro da atmosfera do filme Laranja Mecânica. Adorei!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Água...desAgua em mim.
Dia mundial da água. Toda essa água que nos cerca, inunda a nossa vida ainda é tão mal tratada. Somos homens mal educados. Nunca aprendemos muito bem a cuidar do nosso próprio corpo (que é composto por quase 70% de água), em repor e manter esta água que hidrata, purifica e trás saúde. Só pela ausência e necessidade nos lembramos dela, quando ele próprio -nosso corpo - nos alerta que precisamos consumí-la. Que dirá da água que está fora de nós, que nos serve como recurso infinito de bens!?
Ainda boiamos na perene idéia de que somos eternos privilegiados de termos nascido e vivermos em um território onde ela é só abundância e inesgotabilidade, e assim nem ligamos, a maltratamos: é através da mangueira de um quintal que ela se esvai sem perda de tempo nos ralos, nas ruas esburacadas ou no asfalto sempre imundo, no banho que insistimos que seja longo como se servisse para lavar o corpo e purificar a alma, nas pequenas gotas que caem lentamente dentro das nossas casas à espera de uma manutenção que nunca vem, na irresponsabilidade de indivíduos/cidadãos que pertencem à uma coletividade onde a água que pagamos pelo consumo é a mesma que serve a todos, sem predileções. Pequenos erros de gente comum num mostruoso reflexo para TODOS, isto sem mencionar a ação de empresas, indústrias, hidrelétricas, usinas, que demoram a entender que, sem a água limpa e renovada, nada pode ser construído sob o cenário da globalização já tão cansadamente discutida. O que pretendemos?
Ahhh...um dia ela se enche disso tudo e se revolta contra nós, e ai de nós!
Se cansa e cessa de fornecer a nós, seus filhos ingratos, o único bem que a vida não nos cobra para a nossa sobrevivência.
Essa Mãe generosa se magoa também!
Veja quanta sujeira lhe oferecemos em forma de gratidão! Gratidão!? Que gratidão?
Vocês todos, diz ela, me devem a saúde, a alegria, o alívio da sede, as viagens marítimas, os passeios cheios de sonhos, os banhos quentes de mar, a maresia no rosto, o bailado das ondas, a luz da energia que ilumina e conforta, o alimento, a beleza, enfim...a vida!
Sois gratos? Pergunta cerimonialmente a mãe desse planeta que ainda é azul.
Façamos a nossa própria reflexão e vejamos por onde podemos recomeçar ou, se der, consertar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Uganda e a lei de pena de morte para gays

Já que estou um pouco recorrente neste tema, que considero ser de direito dos humanos conhecerem este fato -TODOS - homens, mulheres, gays ou héteros, achei muito apropriado publicar aqui a entrevista do repórter da Folha de SP, Fábio Zanini, com o deputado do partido governista em Uganda, David Bahati, onde ele explica seus "reais motivos" para a aprovação da lei que permite a criminalização da homossexualidade naquele pais. Uma das penas previstas para "homossexuais seriais" é a pena de morte. Também pede morte para um gay que tiver relação com um menor de 18 anos ou deficiente físico. Como o próprio jornalista diz, "Bahati não é apenas um radical isolado. Sua posição é sintomática de um fenômeno que cresce na África, o da homofobia." Leia e tire suas conclusões.
*Pé na África é nome da coluna do jornalista.

PÉ NA ÁFRICA - Por que a família tradicional de Uganda está sob ameaça?
DAVID BAHATI - Nossa tradição diz que a família é chefiada por um homem e uma mulher. Se nós não protegermos isso, há o perigo de termos famílias chefiadas por dois homens, ou duas mulheres. Temos nossos valores. Isso não inclui a homossexualidade. Nós acreditamos que a pessoa não nasce com isso. É algo que é aprendido, e tudo que é aprendido pode ser “desaprendido”. É como aprender a fumar. Eventualmente, se torna um vício. As pessoas aprendem a abusar das drogas.

PÉ NA ÁFRICA - O sr. está dizendo que as pessoas ficam viciadas em homossexualidade?
BAHATI - As pessoas aprendem [a serem gays] e ficam viciadas nisso.

PÉ NA ÁFRICA - E é possível “desaprender” a ser homossexual?
BAHATI - Elas podem “desaprender”, podem ser curadas.

PÉ NA ÁFRICA - O sr. diz isso baseado em quê?
BAHATI - Há muita evidência disso. Há cientistas que estudaram isso.

PÉ NA ÁFRICA - O sr. pode citar um?
BAHATI - Há um sueco, que investiu muito dinheiro no estudo disso. Mas há outro ponto: se você é homossexual, você tem três vezes mais chances de contrair HIV do que um ser humano normal.

PÉ NA ÁFRICA - Quem diz isso?
BAHATI - Pesquisas sobre a Aids. Além disso, a homossexualidade pode reduzir a expectativa de vida em quase 20 anos. Você pode destruir seu reto. Alguns precisam usar fraldas, como crianças.

PÉ NA ÁFRICA - O sr. também tem evidência científica disso?
BAHATI - Há evidência abundante. Você pode pesquisar em qualquer boa biblioteca, na internet.

PÉ NA ÁFRICA - O sr. pode me dar o nome de um cientista?
BAHATI - Posso te mandar depois. Não tenho aqui agora.

PÉ NA ÁFRICA - A vida sexual não deveria ser uma questão privada?
BAHATI - Em Uganda, há uma tendência que ameaça nossas crianças. Vemos pessoas usando dinheiro para recrutar crianças em escolas e promover uma agenda de homossexualidade. Qualquer sexo entre homem e homem não é sexo, é abuso do sexo.

PÉ NA ÁFRICA - Muitos países avançados vivem bem tendo gays, como EUA, Canadá, países europeus. A sociedade deles não parece ameaçada. Por que seria diferente em Uganda?
BAHATI - Não é certo que o tecido moral dos EUA, Reino Unido ou África do Sul esteja bem. Não está. Foi totalmente destruído.

PÉ NA ÁFRICA - Por quê?
BAHATI - Se o homem se desvia do caminho para o qual Deus o criou, há algo de errado. Deus nos criou para nos casarmos e para a procriação.

PÉ NA ÁFRICA - Por que o sr. incluiu a pena de morte para alguns casos?
BAHATI - Essa é uma proposta ainda. O ponto-chave é focar no princípio do projeto. O ponto é: a homossexualidade é correta?

PÉ NA ÁFRICA - Quando o sr. pede pena de morte para “criminosos seriais”, quem define o que é isso?
BAHATI - É uma pessoa que já foi condenada por homossexualismo. É um cara mau.

PÉ NA ÁFRICA - Mas pena de morte?
BAHATI - Vamos focar no núcleo da proposta. Homossexualidade é um direito humano? Nós acreditamos que não deve ser.

PÉ NA ÁFRICA - Também se prevê pena de morte para quem administrar alguma substância “estupefaciente” a alguém antes de ter relação homossexual. Tomar uma cerveja antes do ato conta?
BAHATI - Estamos falando aqui sobre drogas específicas. Cerveja é droga?

PÉ NA ÁFRICA - Mas aqui se fala em “coisa” que cause esse efeito. Cerveja é uma “coisa”...
BAHATI - A lei será seguida pelo governo de maneira razoável.

PÉ NA ÁFRICA - Prisão perpétua para a prática da homossexualidade não é um exagero?
BAHATI - O que não seria duro demais? Que punição você daria para alguém que está tentando destruir nossas crianças?

PÉ NA ÁFRICA - Essa lei não pode ser usada de maneira abusiva? Bastará “acusar” alguém de homossexualidade...
BAHATI - Não temos história de abusar da lei.

PÉ NA ÁFRICA - Mas pode acontecer uma caça às bruxas...
BAHATI - Uma caça às bruxas acontece só quando alguém está fazendo algo certo. Se alguém está fazendo algo errado e é preso por um cidadão na rua, isso não é caça às bruxas.

PÉ NA ÁFRICA - O seu projeto defende abertamente a censura.
BAHATI - Sim. Nossas crianças devem acessar informação em TV, ou na internet, livre de conteúdo homossexual.

PÉ NA ÁFRICA - Quem define o que é isso?
BAHATI - O Estado deve estabelecer o que é bom ou mau.

PÉ NA ÁFRICA - Isso não é um retrocesso?
BAHATI - Não há liberdade absoluta. Mesmo o vento sopra numa direção.

PÉ NA ÁFRICA - Um jornalista em Uganda poderia escrever uma matéria num jornal sobre a Parada Gay de São Francisco?
BAHATI - Não, porque seria mostrar um lado positivo dos gays.

PÉ NA ÁFRICA - Mas seria apenas relatar que houve a parada. Não dizer que é algo bom, apenas relatar um fato.
BAHATI - Mas qual a razão para isso? Nada dessa bobagem será autorizada.

PÉ NA ÁFRICA - O seu projeto será aprovado?
BAHATI - 95% da população de Uganda é contrária à homossexualidade. Os deputados representam as pessoas. Temos apoio suficiente no Parlamento.

PÉ NA ÁFRICA - E o presidente?
BAHATI - Sei que o presidente não apoia a homossexualidade.

PÉ NA ÁFRICA - O que o sr. achou da reação internacional, inclusive do presidente Obama?
BAHATI - Temos grande admiração por Obama, mas não acredito que promover homossexualidade é a mudança que procuramos. É o mal que devemos combater. Os países desenvolvidos têm valores duplos. De um lado promovem democracia, de outro sufocam democracia. Esse projeto está passando por um processo democrático.
Aonde mora o sadismo e a crueldade?
Assisto, leio e ouço muitas coisas e tento refletir sobre tudo que vejo e observo na vida, na parte que me cabe do meu limitado entendimento.
Este espaço aqui foi por mim criado, não como painel de vaidade, mas para que eu pudesse expor e escrever sobre tudo que me desse vontade ou fizesse sentido para mim. Assim como um velho diário, da qual sempre tive o hábito de usar, mais para as anotações do meu dia a dia do que como agenda de compromissos. Sendo assim, assistindo e observando a tudo dentro do meu campo das percepções, também sou expectador deste programa chamado Big Brother Brasil, compondo a massa de centenas de milhões de pessoas que também o seguem. Não me acho menos inteligente por assistir a este tipo de atração, tem lá o seu lado interessante, curioso, irreverente; sem esse lado, as vezes chato, do discurso antropológico do comportamento humano. Menos! Estou falando de um programa de televisão que muitos amam e outros odeiam, mas que é indiscutivelmente um polarizador de atenção e comentários.
O que me causa certo espanto (e nem deveria) são os comentários que as pessoas fazem a respeito daquelas figuras simbólicas que estão participando do programa e, que representam imagens arquetípicas da nossa sociedade, podem despertar em qualquer um de nós, identidade, carinho, aversão, simpatia, amor ou ódio. Isto fica muito claro quando dispõem nesta vitrine, figuras que estão distantes do falso desejo moral da sociedade - como uma dançarina de boite, uma policial desinibida em relação ao seu desejo sexual, um gay estilo emo maquiado, uma lésbica decidida e prejudicada pela exposição de uma mãe sem noção, e outro gay que tem o ofício de drag queen. "É demais num só programa", dizem alguns ou "Aonde já se viu...Pouca vergonha", dizem outros, e por ai vai toda a variedade de comentários que nem perderia o meu tempo em descrever aqui, pois mais que ofender aqueles que lá estão (refiro-me especialmente aos gays que se encontram na disputa da gincana), ofendem igualmente a todos que também não se escondem sob a culpa do desejo não permitido e da liberdade de poder SER sem serem julgados. Assumir-se é, sobretudo correr mais riscos e viver com coragem. Isto só sabe quem é igual, aos outros, agradeçam pela colher-de-chá.
Ontem o programa promoveu uma disputa acirrada entre os participantes para ganhar a liderança, onde ficaram expostos sob chuva, ventania, calor, frio, mudanças de temperatura, ao gosto do controle do público que votava através do site para que ocorressem estas oscilações. Pois bem, os únicos que persistiam na disputa depois de quase 13 horas de resistência eram Dicesar (a drag queen e maquiador) e Cadu (o bom moço educado, fofo e que toda familia queria ter). Instaurou-se o sadismo, o ódio e a violência! O público votava na mudança de temperatura e publicava seus comentários agredindo o gay participante com uma crueldade que me assusta, pessoalmente, com um profundo conhecimento de causa, infelismente. Fizeram a catarse. Soltaram os bichos! Comentários do tipo "viado tem que morrer", "morte a esta bicha de merda", e coisas do gênero. Até uma senhora dona-de-casa muito "fina" perdeu seu precioso tempo em escrever seu lisonjioso post: "se morrer, pelo menos será menos um...Cada um leva no buraco que tem." Tá de bom tamanho, não!? Meu blog não merece tanta ofensa escrita!
Crueldade, maldade humana, que por vir acompanhada de ofensas à sexualidade de Dicesar, não páram nele, estendem-se ao coletivo de gays (homens e mulheres).
Cansei por agora. Me despeço com a seguinte frase de Paulo Coelho - sim....dele mesmo: Paulo Coelho - BBB, Paulo Coelho...como disse, vejo, leio, assisto tudo; e tudo tem seu lado interessante quando sabemos extrair a sua melhor porção, escrevendo o seguinte:
"Quando alguém te ferir, reaja e depois perdoe, mas faça isso só com as pessoas que ama; para os inimigos: INDIFERENÇA."
Amor, paz e tolerância ao mundo!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Gosto de dizer.
Direi melhor: gosto de PALAVRAR.
As palavras são para mim
Corpos tocáveis,
Sereias visíveis,
Sensualidades incorporadas.

Fernando Pessoa
Sem tino
O que me constrange é a possibilidade de não existir

Quanta gente que existe sem aparecer!
Passam pela vida a maneira de zumbis

condicionados à sorte de alguém
sem conseguir enxergar o buraco ou o

trampolim à frente dos pés
Vêem de onde; vão para onde,

o que desejam, sonham com que?
Nem sequer sei se erram ou acertam
Eu da minha parte quero ter a consciência do erro
para depois poder errar mais
sabendo que o objetivo é o acerto,

me condiciono a fazer bem feito
É preciso sofrer, amar
Tem que doer, desejar
Pra ver é preciso ter olhos
mas para enxergar é preciso estar longe

até sentir de perto.

Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, pôr açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão.

Essa dupla eu gosto muito e quis dividir com vocês, chama-se Pomplamoose. Incrível criatividade sonora, com arranjos simples em ótimas versões de canções conhecidas por todos nós num perfeito acabamento da delicada voz, meio bossa nova, da cantora Nataly Dawn.

quarta-feira, 3 de março de 2010

"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo.
Para ser popular é indispensável ser medíocre."

Oscar Wilde