sexta-feira, 19 de março de 2010

Aonde mora o sadismo e a crueldade?
Assisto, leio e ouço muitas coisas e tento refletir sobre tudo que vejo e observo na vida, na parte que me cabe do meu limitado entendimento.
Este espaço aqui foi por mim criado, não como painel de vaidade, mas para que eu pudesse expor e escrever sobre tudo que me desse vontade ou fizesse sentido para mim. Assim como um velho diário, da qual sempre tive o hábito de usar, mais para as anotações do meu dia a dia do que como agenda de compromissos. Sendo assim, assistindo e observando a tudo dentro do meu campo das percepções, também sou expectador deste programa chamado Big Brother Brasil, compondo a massa de centenas de milhões de pessoas que também o seguem. Não me acho menos inteligente por assistir a este tipo de atração, tem lá o seu lado interessante, curioso, irreverente; sem esse lado, as vezes chato, do discurso antropológico do comportamento humano. Menos! Estou falando de um programa de televisão que muitos amam e outros odeiam, mas que é indiscutivelmente um polarizador de atenção e comentários.
O que me causa certo espanto (e nem deveria) são os comentários que as pessoas fazem a respeito daquelas figuras simbólicas que estão participando do programa e, que representam imagens arquetípicas da nossa sociedade, podem despertar em qualquer um de nós, identidade, carinho, aversão, simpatia, amor ou ódio. Isto fica muito claro quando dispõem nesta vitrine, figuras que estão distantes do falso desejo moral da sociedade - como uma dançarina de boite, uma policial desinibida em relação ao seu desejo sexual, um gay estilo emo maquiado, uma lésbica decidida e prejudicada pela exposição de uma mãe sem noção, e outro gay que tem o ofício de drag queen. "É demais num só programa", dizem alguns ou "Aonde já se viu...Pouca vergonha", dizem outros, e por ai vai toda a variedade de comentários que nem perderia o meu tempo em descrever aqui, pois mais que ofender aqueles que lá estão (refiro-me especialmente aos gays que se encontram na disputa da gincana), ofendem igualmente a todos que também não se escondem sob a culpa do desejo não permitido e da liberdade de poder SER sem serem julgados. Assumir-se é, sobretudo correr mais riscos e viver com coragem. Isto só sabe quem é igual, aos outros, agradeçam pela colher-de-chá.
Ontem o programa promoveu uma disputa acirrada entre os participantes para ganhar a liderança, onde ficaram expostos sob chuva, ventania, calor, frio, mudanças de temperatura, ao gosto do controle do público que votava através do site para que ocorressem estas oscilações. Pois bem, os únicos que persistiam na disputa depois de quase 13 horas de resistência eram Dicesar (a drag queen e maquiador) e Cadu (o bom moço educado, fofo e que toda familia queria ter). Instaurou-se o sadismo, o ódio e a violência! O público votava na mudança de temperatura e publicava seus comentários agredindo o gay participante com uma crueldade que me assusta, pessoalmente, com um profundo conhecimento de causa, infelismente. Fizeram a catarse. Soltaram os bichos! Comentários do tipo "viado tem que morrer", "morte a esta bicha de merda", e coisas do gênero. Até uma senhora dona-de-casa muito "fina" perdeu seu precioso tempo em escrever seu lisonjioso post: "se morrer, pelo menos será menos um...Cada um leva no buraco que tem." Tá de bom tamanho, não!? Meu blog não merece tanta ofensa escrita!
Crueldade, maldade humana, que por vir acompanhada de ofensas à sexualidade de Dicesar, não páram nele, estendem-se ao coletivo de gays (homens e mulheres).
Cansei por agora. Me despeço com a seguinte frase de Paulo Coelho - sim....dele mesmo: Paulo Coelho - BBB, Paulo Coelho...como disse, vejo, leio, assisto tudo; e tudo tem seu lado interessante quando sabemos extrair a sua melhor porção, escrevendo o seguinte:
"Quando alguém te ferir, reaja e depois perdoe, mas faça isso só com as pessoas que ama; para os inimigos: INDIFERENÇA."
Amor, paz e tolerância ao mundo!

2 comentários:

Tatta barboza disse...

Meu DEUS que HORROR! Eu não sabia disso... Eu não cheguei a ver a prova... Que triste isso...Pena, é a única coisa que consigo escrever pra essa gente que não consegue conviver com a escolha alheia e que em nenhum momento interfere a vida delas...

Regis Sodré disse...

Pois é querida....Ainda que fosse uma ESCOLHA isso não deveria acontecer! Mas não é!