sexta-feira, 30 de abril de 2010

Consciência eleitoreira

Em tempos de renovação política, eleições presidenciais, federais e estaduais, é sempre bom vermos imagens ou fotos que nos ajudem a escolher melhores os caras que nos representam publicamente e que têm o poder de melhorar ou bagunçar de vez as nossas vidas.
Chega dessa letargia democrática a que quase estamos nos acostumando, sem nada fazer, participar ou cobrar, simplesmente satisfeitos por pertencermos a um estado de regime democrático.
A indignação é sintoma dos que ainda vivem!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vinícius de Moraes



















Grande notícia esta: depois de muitos anos de trabalho e dedicação, a família do poeta Vinícius de Moraes conseguiu organizar e catalogar toda a obra do artista, em um acervo online no site que leva seu nome. Entre textos, poemas, músicas, letras inacabadas, desenhos e artigos sobre cinema, o conjunto é, sem dúvida, um grande presente para todos que gostam de arte e admiram a linda contribuição que Vinícius deixou como herança cultural para todos nós.
E como exemplo de grande generosidade, a família ainda disponibilizou o catálogo completo com todos os textos e poemas do compositor para a biblioteca virtual da USP, a BRASILIANA USP, com direito a download gratuito; exceção na rede, onde a obra destes grandes artistas fica protegida por lei tendo sua reprodução totalmente impedida.
Salve, salve Vinícius de Moraes!

Site Brasiliana USP
http://www.brasiliana.usp.br/

Site oficial Vinícius de Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Bullying

Me lembro como se fosse hoje daquela tarde. Sozinho na sala de jantar com meus livros e cadernos do dever-de-casa à minha frente, molhados pelo meu choro que não queria parar, acampanhado por uma velha vitrola de Long Plays, sintonizada em uma rádio qualquer que tocava Aguenta coração do José Augusto, realmente me senti sozinho, triste e desesperado sem saber como dizer o que eu sentia, quando fui surpreendido pela figura do meu pai parado no batente da porta me perguntando o que tinha acontecido. Eu sem coragem disse "nada, pai...só estou triste." Ele que também pouco tinha recebido de carinho e atenção, não sabendo como agir, simplesmente calou-se e dali saiu deixando na pequena sala de jantar com simples móveis de fórmica azul, o filho de 9 anos que já algum tempo era vítima de violência e perseguição na escola.
Quantas crianças passam por este sofrimento e nada falam, guardando para elas palavras de humilhação, maus tratos, perseguições que não acabam e até a violência física, sem coragem de revelar aos seus pais estas tristes histórias; justamente para eles que devem proteger e cuidar da integridade física e emocional de seus filhos.
Elas (as crianças) nem fazem idéia do que seja BULLYING, mas têm a perfeita e exata noção que o sofrimento que isto provoca é suficiente para lhes roubar o sorriso, o ânino, a espontaniedade própria da idade, alegria e até a vida, porque não raro, muitas atentam contra a sua própria.
Que triste e feia analogia: CRIANÇA e SUICÍDIO.
Segue link do Instituto ALANA, onde há vários artigos sobre educação e um em especial que peço que leiam, com o título "As escolas fecham os olhos ao bullying", onde Allan Beane, um dos maiores especialistas em violência entre estudantes, concede uma entrevista muito esclarecedora, entre outros também muito interessantes sobre o mesmo tema.
Reflitam e propaguem a notícia de forma consciente.
http://migre.me/z1Qx

5X favela

Projeto idealizado por Cacá Diegues, um cineasta que dispensa apresentações, o 5X Favela oferece chances a jovens moradores das favelas do Rio de Janeiro a co-produzirem filmes dentro da realidade das comunidades das quais eles pertencem. Seguindo esta idéia, entre centenas de jovens interessados, 5 deles foram escolhidos com cinco histórias diferentes, onde falam do morro, tráfico, cidadania, educação e preconceito, participando na criação do argumento, roteiro, cenáro, figurino, trilha, etc, num processo colaborativo onde Diegues foi o facilitador, levando até esses iniciantes ao cinema, dentro do morro, pessoas de nome como Fernando Meireles, para falar do complexo processo de produção e concepção desta indústria da telona.
O resultado é incrível e, por isso, acaba de ser selecionado para o Festival de Cannes.
Enquanto existirem incentivos deste tipo, que oferecem uma oportunidade de trabalho, aprendizado e crescimento, que afaste os jovens da dura realidade do tráfico e das dificuldades sociais, haverá menos violência e chances de que eles se percam por outros caminhos como único meio de sobrevivência (ou não), uma vez que o Estado, lamentavelmente se esqueceu de prover o mínimo necessário ao progresso de um povo - a educação.

terça-feira, 20 de abril de 2010

festa Robbie


Hoje tem a festa Robbie, galera! Segue basicamente a mesma proposta da antiga Gambiarra, com uma frequência de público bem parecida e acontece no mesmo local onde esta festa começou, no Hotel Cambridge, centro SP. Especialmente hoje, tem apresentação do talentoso Guga Machado, percussionista do meu amigo Ricky Vallen (que assim que ele liberar o video, colocarei um post bem bacana sobre ele); o que quer dizer que a balada fica ainda mais animada. E o melhor: é bem baratinha a entrada! Quem for, pode ser que me veja por lá!
http://festarobbie.wordpress.com/

Reconhecer a minha mediocridade é tão forte quanto beber um elixir fatal.
É o risco do abismo, o corte certo, a estrada deserta, o farol direto na cara.
Curvando-me diante da fraqueza, fortaleço minhas defesas em saber quem sou.
Lamber o doce veneno da vida,
escalar o Everest de patins,
fazer cócegas com a navalha,
beijar a víbora na boca,
jogar paciência no precipício,
me perder no meio do fogo
e cruzar as chamas sem ser visto,
esquentar marmitas no vulcão,
dançar ao som de um trovão,
fazer do relâmpago a rabiola da pipa,
surfar na tsunami.
Preciso de um sopro de alegria.
Que a vida seja forte, lenta e intensa ao mesmo tempo, onde eu consiga enxergar na paisagem as mesmas cores de ontem que hoje vejo sem nitidez.
Persistir num ideal é, para mim, manter a coluna ereta e o coração cheio de sonhos, desejos e esperanças que se renovam ao sabor dos meus pensamentos.
Não, esta não é a vida que eu quis! É a vida que eu tenho, mas farei dela algo ainda melhor que nem eu mesmo imaginei.

"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços meu pecado de pensar."
Clarice Lispector


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Morte e vida severina

"Somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida.
Se somos severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesmo a morte severina.
Que é a morte que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada
antes dos vinte, de fome um pouco por dia..."
E assim se inicia a narrativa da dura e seca poesia de João Cabral de Melo Neto chamada MORTE E VIDA SEVERINA que acabo de reler e conto a vocês, e nem por isso menos tocante, forte e emocionante!
A importância do rio, o valor da crença e da oração, a solidariedade e as gritantes diferenças entre as classes sociais, são alguns dos temas abordados na obra.
A vida e a morte são igualmente tratadas. A vida é severina porque castiga o homem, porque exige dele aquilo que ele não tem. A morte é severina porque, ao lhe tirar a vida, ainda é mais generosa que ela: ao morrer, o homem ganha uma cova, um pedaço de terra que, apesar do tamanho, é ainda maior do que aquilo que ele pôde conquistar em vida.
É a vida que poderia caber a qualquer um de nós brasileiros: pobres, migrantes, sem identidade, negros, pardos, nordestinos ou de qualquer lugar; filhos da mesma terra que a uns privilegia e a outros faz sofrer.
Ao final do poema, quando o retirante questiona o valor dessa vida tão difícil, conquistada com tanta renúncia e sofrimento, o carpina lhe responde paradoxalmente àquela realidade que ele via sem esperança:
E não há melhor resposta
Que o espetáculo da vida:
Vê-la desfiar seu fio
(que também se chama vida),
ver a fábrica que ela mesma,
Teimosamente, se fabrica,
Vê-la brotar como há pouco
Em nova vida explodida;
Mesmo quando é assim pequena
A explosão, como a ocorrida;
Mesmo quando é uma explosão
Como a de pouco, franzina;
Mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
Separei uma cena do enterro do sem-terra, com a ótima participação da Tânia Alves (só para ilustrar o texto), mas vale mesmo ler a obra!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Começa hoje a 36ª edição do mais antigo festival de cinema de São Paulo, Festival SESC Melhores Filmes. Este ano o projeto inova disponibilizando sua programação com serviços que possibilitam o acesso a deficientes visuais e auditivos com a audiodescrição e a legenda open caption. As exibições se concentram entre os dias 08 e 29 de abril no CineSesc, no total de 300 filmes concorrentes, entre eles eu destaco Bastardos Inglórios, A festa da menina morta de Matheus Nachtergaele, A onda e Hotel Atlântico (com os incríveis atores João Miguel e Gero Camilo) de Suzana Amaral, a mesma diretora de A Hora da Estrela, 1985, filme sobre a obra homônima de Clarice Lispector.
Segue ai o link pra quem quiser conferir:
http://migre.me/uD8p