quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sei lá
A causa da criatividade artística, da genialidade intuitiva ou de alguma peculiar expressão de arte tem sua explicação nas somas genéticas dos pares cromossômicos, no talento lapidado através da disciplina ou da vocação inspirada pelas mãos de Deus? Não sei exatamente. Talvez seja dado ao conjunto destes três fatores a resposta para esta sentença, mas o que consigo mesmo explicar e de forma bem simples, sem recorrer à nenhuma questão matemática ou científica é que, desde a primeira vez que o ouvi (sem ver o seu rosto) cantando, ainda criança, um sucesso atual da cantora Whitney Houston naquela metade dos anos 80, e sem que ainda me virasse para ver de quem partia aquela voz, já chorava sem saber ao certo o motivo, entendi que o verdadeiro significado de talento é o que consegue nos fazer emocionar, sem que para isso passe, imediatamente, pelo filtro da razão, porque como já disse o poeta, também acredito que "o coração sabe reconhecer a alma dos grandes artistas".
Ao amigo e artista Ricky Vallen, meu coração e minha alma reconhecidamente te aplaudem!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Os albinos da Africa
Somos seres que ainda caminhamos para o humano ou nos esquecemos de brotar?
Autoridades do Burundi, um pequeno país no centro da África, encontraram no final de semana o corpo de um garoto de nove anos que estava desaparecido.
O cadáver estava desmembrado. Órgãos vitais haviam sido removidos, e a carcaça de seu corpo foi abandonada num rio na fronteira do Burundi com a Tanzânia. Mais um caso de violência como inúmeros que ocorrem diariamente no continente, não fosse pelo detalhe macabro: ele era albino.
O albinismo, decorrente da falta de pigmentação na pele, é especialmente cruel com os africanos. Em qualquer lugar do planeta pessoas albinas chamam a atenção. Na África, por motivos evidentes (o contraste com a pele negra é maior), muito mais.
Some-se a isso a dificuldade que é viver num ambiente de clima tórrido e com sol a pino 365 dias por ano como é a África central. Pessoas sem pigmentação na pele precisam tomar cuidados extras para não adquirir câncer de pele.
Albinos são uma minoria discriminada e perseguida em todo o continente. Em centros urbanos de grandes países, sofrem preconceito. Mas pode ser pior, como mostra o caso do garoto do Burundi.
Em regiões da África central, há uma caçada por partes do corpo de um albino para uso em rituais de bruxaria. Acredita-se, sobretudo em zonas rurais, que o cabelo, a pele, o sangue e órgãos como coração e fígado têm poderes rejuvenescedores, ou que trazem riqueza. Quanto mais jovem (“pura”) for a a vítima, maiores seriam os efeitos.
O problema é mais sério em dois países: Tanzânia e Quênia, mas atinge toda a região. Burundi, Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo também registram casos frequentes.
Em 2008, uma investigação da rede britânica BBC constatou o assassinato de 25 albinos na Tanzânia no período de um ano.
O número é assustador, como indica uma conta rápida. O gene do albinismo afeta 1 pessoa em cada 20 mil.
Na Tanzânia, país de 40 milhões de pessoas, haveria portanto cerca de 2.000 albinos. A morte de 25 deles significa 1,25% desse universo assassinado em apenas 12 meses. Uma enormidade, considerando-se que nos países mais violentos do mundo a taxa de homicídios chega no máximo a 0,15% da população por ano.
Os crimes em geral são obra de gangues especializadas agindo em conluio com policiais corruptos.
A viúva de uma vítima relatou à BBC que seu marido foi morto à luz do dia, retirado de sua casa por dois homens com facões que começaram a mutilá-lo no ato. “Queremos suas pernas!”, gritavam.
A boa notícia é que hoje se presta mais atenção a esse drama, muito em razão da pressão internacional. Albinos nas regiões mais afetadas se organizam em associações, e estão sempre em contato.
As prisões aumentaram. Em agosto, uma pessoa que tentava vender albinos foi condenada a 17 anos de cadeia no Quênia. Na Tanzânia, o Parlamento tem agora sua primeira deputada albina, nomeada pelo presidente para dar uma voz a essa minoria.
Passos positivos, mas tímidos. Como mostra o caso do garoto de Burundi, o que vai mudar a situação é um misto de repressão e educação, o que leva tempo.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
João Rubinato
O trem das 11 que nunca existiu que ia para Jaçanã, na memória de todos que admiram este cantor de rádio que também foi ator humorista, sempre será uma forte referência ao bom e velho samba paulistanês brasileiro.
Salve o samba! Salve Adoniran!