Estamos num país mergulhado no caos da corrupção e falta de decência ou é mesmo o mundo que já acabou e esqueceram de nos avisar?
Será a vida uma causa perdida?
É difícil afastar este pensamento niilista diante de um cenário onde aqueles que foram eleitos e são pagos para nos denfender e trabalhar pela melhoria da nossa vida ainda tão carente de recursos básicos, se fartam no banquete das podres facilidades do enriquecimento ilícito - troca de favorecimento eleitoral; nepotismo dando em cachos como bananas na estação; ultra, hiper, superfaturamento de qualquer obra com recurso público sem qualquer licitação; salários triplicados poucos meses após a posse de um cargo; grandes operações clandestinas de empresas fantasmas com o único intuito de enriquecer "amigos"; dólares na meia, na cueca e toda a sorte de peças íntimas (antes delas deixarem de ser íntimas); pastas recheadas; governador deposto; ministro desmascarado; sacos de "laranjas" cheios de sustâncias monetárias, mas sem suco pra saciar a sede da justiça. É tanta lama que tá difícil de limpar. O melhor mesmo é não limpar, joga no ventilador que assim todos podem ver.
Chego a pensar que o que aí está é estrume pro futuro!
É triste, mas temos que admitir, como escreveu Arnaldo Jabor, que estes homens sairam no meio de nós, receberam o poder através dos nossos votos individuais.
Quer arma de construção ou destruição melhor que esta numa socidade democrática!?
Existe algum lugar neste país onde é possível respirar bons ares com exemplos de honestidade, dignidade e cidadania?
Idolatrando a dúvida...pensando pra consertar.
Consertar pra educar, pra aculturar, informar, respeitar, etc...Tenho certeza que só assim seremos um dia pessoas-cidadãos mais comprometidos com as nossas escolhas refletindo pro coletivo, para o bem de todos, entendendo que fazer filosofia e politica é um ato tão natural e simples quanto cobrar o nosso troco no caixa.
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Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".
Poema de Cleide Canton com a última estrofe de Ruy Barbosa.