domingo, 3 de junho de 2012

Homenagem a Caio Fernando Abreu I e todas as memórias dentro de mim



"...Que te dizer?
Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária,
num aeroporto,que te acredito, que consegues mexer 
dentro-dentro de mim?É tão pouco. Não te preocupa. 
O que acontece é sempre natural - se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra. 
Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz - a única que pintou até agora, "nesta minha vida de retinas fatigadas".
E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito.
To morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher..."


"...Por onde anda você, tão distanciada, tão silenciosa? 
Em que nova galáxia posso te encontrar outra vez, morena como uma princesa raptada por beduínos no deserto?
Vezenquando baixa uma saudade, quase sempre clara como
tem sido o ar verde-azulado deste verão, e fico sentindo falta do teu jeito lento de chegar pisando em nuvens, sempre azul.
As coisas andaram meio escuras para mim, durante muito tempo, depois, o fim do inverno levou as amarguras e tudo se 
renovou; estou pronto, outra vez, para te encontrar na areia do Leme ou nas salas estragadas do conservatório, expressões corporais, alquimias.
Hoje vesti verde, em homenagem ao eclipse em Capricórnio, e de repente, não mais que, a redação quase vazia, uma tarde quase quebrando de tão clara, você chegou na minha saudade.
Escrevo. Há muito tempo para dizer, mas é uma pena que não se possa mandar uma carta cheia de silêncio, que é música..."

Em geral tenho conseguido me manter num estado de espírito mais ou menos equilibrado.
Acho que as maiores depressões já passaram.
Andei chorando, ou então apático, dormindo potes.
Agora consegui pegar um certo fio, eu acho, e pelo menos admitir que as coisas pareçam um pouco estagnadas até que eu volte a me situar.



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