sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O perfeito imbecil politicamente incorreto.

Adoro ler a CartaCapital pelo seu conteúdo informativo cheio de bom senso, gente boa que tem o que dizer e porque reúne, para mim, alguns colunistas que escrevem coisas que gostaria de ter escrito e ouvir de alguém que pensa o mundo, o nosso país e sua situação política/social de uma forma consciente, realista, indignada e num tom esquerdista, se ainda posso ousar a me referir a alguém nestes termos partidários; entre estes colunistas o jornalista e deputado federal pelo PSOL Jean Wyllys e a jornalista Cynara Menezes, de quem transcrevo um artigo muito bem escrito que nos ajuda a identificar entre nós, quem é o cara intitulado por ela de perfeito imbecil politicamente incorreto.

O perfeito imbecil politicamente incorreto
3 de outubro de 2011 às 21:54h

Em 1996, três jornalistas - entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro - lançaram com estardalhaço o "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano". Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundias depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:

1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.

2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.

3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja", e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

+ Criolo

MERECIDA PARTICIPAÇÃO NO PROGRAMA ENSAIO DA TV CULTURA, COM FERNANDO FARO, EM 18 DE SETEMBRO DE 2011.

"...Di Cavalcanti, Oiticica e Frida Kalho têm o mesmo valor que a benzedeira do bairro..."








sábado, 3 de setembro de 2011

Música boa + talento da periferia

Criolo, "mano" rapper paulistano do Grajaú, para mim já transcendeu a barreira do hip hop, pop ou seja lá que categoria couber.
Ele é bom, muito bom e ponto.





quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ordem e Progresso


Estamos num país mergulhado no caos da corrupção e falta de decência ou é mesmo o mundo que já acabou e esqueceram de nos avisar?
Será a vida uma causa perdida?
É difícil afastar este pensamento niilista diante de um cenário onde aqueles que foram eleitos e são pagos para nos denfender e trabalhar pela melhoria da nossa vida ainda tão carente de recursos básicos, se fartam no banquete das podres facilidades do enriquecimento ilícito - troca de favorecimento eleitoral; nepotismo dando em cachos como bananas na estação; ultra, hiper, superfaturamento de qualquer obra com recurso público sem qualquer licitação; salários triplicados poucos meses após a posse de um cargo; grandes operações clandestinas de empresas fantasmas com o único intuito de enriquecer "amigos"; dólares na meia, na cueca e toda a sorte de peças íntimas (antes delas deixarem de ser íntimas); pastas recheadas; governador deposto; ministro desmascarado; sacos de "laranjas" cheios de sustâncias monetárias, mas sem suco pra saciar a sede da justiça. É tanta lama que tá difícil de limpar. O melhor mesmo é não limpar, joga no ventilador que assim todos podem ver.
Chego a pensar que o que aí está é estrume pro futuro!
É triste, mas temos que admitir, como escreveu Arnaldo Jabor, que estes homens sairam no meio de nós, receberam o poder através dos nossos votos individuais.
Quer arma de construção ou destruição melhor que esta numa socidade democrática!?
Existe algum lugar neste país onde é possível respirar bons ares com exemplos de honestidade, dignidade e cidadania?
Idolatrando a dúvida...pensando pra consertar.
Consertar pra educar, pra aculturar, informar, respeitar, etc...Tenho certeza que só assim seremos um dia pessoas-cidadãos mais comprometidos com as nossas escolhas refletindo pro coletivo, para o bem de todos, entendendo que fazer filosofia e politica é um ato tão natural e simples quanto cobrar o nosso troco no caixa.

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Sinto vergonha de mim

por ter sido educadora de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

Poema de Cleide Canton com a última estrofe de Ruy Barbosa.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A Árvore da vida



Impressionante como o diretor Terrence Malick conseguiu sintetizar de forma poética, lírica um importante aspecto da relação humana, seus conflitos, criação e a sua integração com a natureza e a graça; aspectos diversos de um mesmo panorama complexo da criação e origem do homem e seus sentimentos, onde o AMOR permanece como fio que liga um e todos, onde é ao mesmo tempo o início e o fim, o fim, e depois novamente o começo.
Um filme que mostra o divino sem ser religioso, filósofico, puro, artístico, criacionista e inteligentemente subjetivo.
Escolha perfeita de atores na sua máxima sensibilidade em linda interação com as crianças que compõem esta história, sobretudo pelo garoto mais velho do casal (Brad Pitt e Jessica Chastain), e na outra ponta Sean Penn, sendo este garoto no futuro atormentado pelas dúvidas e conflitos vivos do passado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

domingo, 29 de maio de 2011

Gisberta

Gilberto Salce Junior, ou melhor, a transexual brasileira Gisberta foi assassinada na Cidade do Porto, em Portugal em 2006. Antes, durante dois dias, foi mantida em cárcere sendo torturada e violentada até ser jogada em um poço onde morreu afogada, ainda viva.
Os culpados pela sua morte e assassinato foi um grupo de adolescentes entre 12 e 16 anos.


"A Balada de Gisberta, de Pedro Abrunhosa, restitui à personagem sua condição humana, destroçada; leva-nos, com tais informações extras, a pensar sobre as políticas públicas de segurança e respeito mútuo universais; e guarda de menores.
Cantada em primeira pessoa, a canção, com suas porções generosas de fantasia, realidade e delírio, pergunta: Qual é a participação de cada um de nós (ouvintes: tocados e chocados) neste monstruoso assassinato?

O que motiva tais gestos? Corpo profanado pelas crianças-carrascos, que dizem estar "brincando".
Gisberta exige resposta, ação e mudança coletiva e efetiva.
É com esta canção que Maria Bethânia fecha o primeiro ato de seu show Amor Festa Devoção (guardado em disco de mesmo nome, 2010). Transfigurada em Gisberta (a sem nome, sem sexo: só paixão e queda) a cantora imprime o tom mais que perfeito para marcar a saída de cena: quando perigo e encanto; alerta e convite nos envolvem.
Moradora de rua, arrastada, depois da tortura, para ser arremessada dentro de um poço d'água e morrer afogada, Gisberta é símbolo e signo de nossa condição (des)humana. Aliás, ela seria queimada viva, mas a água, ao invés do fogo, pareceu ser um final "melhor": já que o corpo afundaria, apagando para sempre a imagem de Gisberta e da "brincadeira infantil".
A água e seu mugido fez de Gisberta a sereia que não nos deixa esquecer o quão longe estamos do amor (potência sempre em desenvolvimento) coletivo.

Se só o (trans)amor é real, Gisberta o chama: mesmo que ele esteja tão longe.
O amor é tão longe! Há limite para a brincadeira? Qual?

O fato de Gisberta ser soropositiva e toxicodependente, como sugeriram alguns advogados? Quem matou Gisberta? A água ou as crianças?, perguntou o Ministério Público. Homicídio ou afogamento?"
Faça das suas palavras as minhas, Leonardo Davino, pois não poderia ter dito nada melhor que você a respeito desta história que me chocou (ainda que tardiamente, pois só agora tomei conhecimento) e me arrancou lágrimas.

Me doeu fundo, porque como diz a letra, a distância até o fundo é curta, também no sentido da emoção, no meu caso.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Blog do Vitor Angelo

Transcrevo aqui dois posts escritos pelo jornalista e roteirista Vitor Angelo da Folha de São Paulo em seu blog chamado Blogay. De forma lúcida e inteligente ele escreve sobre temas que envolvem a contribuição de gays, lésbicas e travestis para o mundo sem a pieguice cansativa e pouco produtiva da bandeira do orgulho LGBT, mas sim como todos podem e devem contribuir - em especial estas minorias - para a diminuição do preconceito em sociedade com argumento, formação política e conhecimento dos direitos e deveres civis.
Que a nossa voz não se cale diante de tais armas de ofensa.

Política para bem viver e direitos humanos para todos os humanos direitos!


30/03/2011

Carta aberta ao senhor deputado federal Jair Bolsonaro


Caro deputado,


É muito cômodo ficar do lado do vencedor, lamber as suas botas. Quando o senhor esbraveja que a ditadura militar foi maravilhosa, é porque é muito fácil estar protegido pelos que eram mais fortes naquele momento
da história. Mas tenho que te avisar que é de uma covardia de alta patente fazer isso como se fosse um ato heroico dentro da bandeira paradoxal da democracia
.

Gostaria que o senhor espumasse tudo que sempre grita à favor dos militares de direita se estivéssemos em uma ditadura de esquerda, por exemplo, e que ela fosse contra todos os princípios que diz acreditar. Será que o senhor surgiria assim impávido para defender os milicos ou estaria em conchavos com a burocracia do partido que estivesse no poder? Bom, dentro de muitas coisas que li, por isso falho aqui de dar a referência de quem escreveu, o senhor é a prova viva que a democracia é melhor que qualquer ditadura, porque se ela fosse contra os ideais que o senhor diz ter, já estaria fuzilado literalmente e nem espaço para a defesa teria direito. O deputado quer apresentar no Congresso as explicações da resposta que deu à cantora Preta Gil que perguntou o que o senhor faria se um filho seu namorasse uma negra, a resposta foi: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco, meus filhos foram muito bem educados e não viveram em um ambiente como, lamentavelmente, é o teu”. Fazendo esse exercício abstrato e filosófico, vamos imaginar – o senhor consegue, deputado! – o mundo comandado por negros e homossexuais. Como branco e heterossexual, no caso uma minoria nesse mundo às avessas que nem afros nem gays desejamos pois a luta é por direitos iguais, o Jair que tem dentro do senhor teria capacidade de sair nas ruas para lutar pelos seus direitos ou ficaria recriminando os arianos militantes em uma espécie de “heterofobia” introjetada? Algo me diz que o senhor ficaria com a segunda opção. Explico: numa primeira resposta a essa polêmica, em um ato de bravura assumiu que não entendeu a pergunta e que não foi erro da edição do programa, mas agora com a reação democrática de boa parte da sociedade esclarecida do país, mudou de opinião em questão de 24 horas e, em uma entrevista para uma rádio, disse que foi manipulação dos editores do CQC os responsáveis pela sua fala um tanto surreal. Isto é, ao perceber que os fortes não estão lhe acobertando e as instituições se movem contra o senhor é mais fácil recuar como fazem os gays silenciosos da Bella Paulista. Voltando a esse troca-troca, vamos colocar luz na afirmação que senhor diz ter confundido negro por gay. Se seu filho namorasse com um gay, ele formaria um casal, conceito que está do lado oposto à ideia de promiscuidade. Já, se ele casasse com uma negra, seus genes - dentro de teorias eugenistas – estariam se misturando, se promiscuindo com os genes de outra etnia. Faz mais sentido o objeto do ataque do discurso ser uma negra do que um gay. Como também – para os crentes dessas teses contra a miscigenação – só numa família de negros (um gene fraco segundo os eugenistas), as pessoas não são bem educadas e tem ambientes desequilibrados. Bolsonaro responde às questões de racismo exclamando que tem muitos afrodescendentes em seu gabinete e diz: “Minha mulher é afro e meu sogro, negão”. Caro deputado, não poderia ter resposta mais infeliz e dúbia. Onde o senhor quis dizer que admite negros no seu trabalho, pode-se ler também que como o bom e velho patriarcalismo brasileiro descrito no clássico “Casa Grande & Senzala” continua vivo com negros no "seu lugar de sempre", como empregados. E se referindo à família, na mesma obra-prima de Gilberto Freyre, temos capítulos e capítulos sobre a descrição de brancos que tomam as negras como objeto sexual, podendo até as colocar em posições de prestígio, vide Xica da Silva. Não digo que é o seu caso, mas que pode suas declarações não isenta a atitude racista que está sendo questionado. Mas para terminar a carta, eu não poderia deixar de te dar um toque. O pai de Preta Gil que o deputado diz que é “aquele que vive dando bitoquinha em macho por aí” é muito mais homem que o senhor porque ele não tem medo de beijar homem e ainda assim ter uma conduta heterossexual, Gilberto Gil não tem medo, não é covarde e sabe bem o que deseja, por isso a tranquilidade de oferecer seu beijo a quem quer que ele queira. Costuma-se dizer que todo homofóbico é um gay enrustido, eu francamente prefiria de coração que esse exemplo não coubesse na figura de Jair Bolsonaro, porque ter o senhor como gay é pior que dormir com o inimigo.

Atenciosamente,


um viado que teve pai presente, boa educação e pago meus impostos para que o senhor receba um salário polpudo no fim do mês.


Escrito por Vitor Angelo às 13h38.


28/03/2011

Educação e homossexualidade



Acima temos um vídeo educativo explicando não só a homossexualidade como também os ataques que essa orientação sexual sofre. O vídeo caminha pelas regras dos "news studies" e tem uma forte linguagem politicamente correta. Percebe-se o embasamento na ciência para comprovar as teorias e também a linguagem adotada pela correção política, nunca usar opção e sim orientação. Na verdade, essa implicância com as palavras é uma forma de emparedamento da linguagem tão opressora quanto a que é vivida diariamente entre os homossexuais. É importante atentar para esses materiais didáticos, pois por mais que eles tenham uma função de ser claro, e nisso o textoe as imagens são exemplares, ele - esse vídeo - também fecha para a maleabilidade da sexualidade humana. Existem homens e mulheres que experimentam o sexo gay e depois se sentem mais confortáveis sendo héteros e vice-versa. Emparedar também a sexualidade humana é uma forma de opressão. Sim, o vídeo apenas quer ser didático, mas precisamos atentar para que o didatismo não repita formas de opressão que ele tanto combate.

Escrito por Vitor
Angelo às 20h46.

terça-feira, 29 de março de 2011

Meu mais provável discurso

Tenho pensado e discutido muito sobre a possibilidade de me relacionar com alguém de uma forma mais madura e inteligente. Já tive alguns encontros (bons) que não valorizei, porque no momento não compreendia a importância deles e das pessoas que vieram através deles. Ainda não tinha maturidade suficiente. Simplesmente não entendia nada, assim, só fui entender e me arrepender hoje, no futuro, mas ficou lá atrás naquele passado as lembranças do quanto eu poderia ter aprendido se tivesse aproveitado aqueles encontros. Hoje acredito que o bom encontro é de um. Se o outro me compreender, for tolerante comigo e ainda me amar na mesma vibração que a minha, será tudo lindo e vivo; do contrário, se sinceramente o quiser e ele tiver as suas diferenças, fugas, oscilações e ainda se mantiver ao meu lado por vontade própria, este será o momento ideal pra aproveitar e crescer, porque não quero mais desejar com controle, alimentar ciúme, procurar motivos rasos e nem profundos pra brigas e discussões, exigir sem ceder, etc. Quero aproveitar o melhor do convívio que o outro pode me proporcionar, porque assim o entendo, amo e respeito, sem exageros, mas com cuidado, cautela e consciência. Não me preocupar em ser feliz amanhã, nos dias que ainda virão, mas hoje, agora, quando as coisas acontecem. Amar sem exigir é aprendizado pra toda a vida. Escolhi tanto alguém que me oferecesse primeiro seu carinho para que eu pudesse avaliar se valia a pena, para só então eu doar a porção que considerava suficiente, com isso quem sempre perdeu fui eu. Não tinha muito a oferecer a não ser a minha displicência. Quero poder amar, desejar e depois dizer, corresponder, trocar (mesmo se não tiver recebido nada), comparecer e estar ao lado; ainda que me traia, oculte fatos, minta às vezes, disfarce com frequência, tudo isso não faz mal (acontecendo ou não) se enquanto comigo estiver me fizer o bem que sempre quis. Por tudo, serei feliz. Meu encontro já terá valido a pena. Como já disse o poeta: Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não noutra alma. Só em Deus - ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. Manuel Bandeira

terça-feira, 22 de março de 2011

Valer a pena

Torço muito por Jean Wyllys e seu mandato a deputado federal pelo PSOL-RJ. Tomara que ele seja a força contrária e necessária pelo direito das minorias na Câmara.
Torço, gosto e ponto.

Todo errado...

O que o total equívoco, cegueira e ignorância produzem.
Este deputado federal no vídeo abaixo chamado Jair Bolsonaro do PP-RJ, subiu ao plenário da câmara federal no último dia 17 de março, acusando o governo de criar uma versão LGBT do programa de distribuição de renda Bolsa Família. Na verdade, imerso em seu habitual desconhecimento e munido de bastante preconceito, ele tentava discursar sobre detalhes do recém-lançado Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.
A quem interessar possa, é só pesquisar.
Direitos aos humanos direitos!!!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mudança

Estas palavras traduzem o meu atual momento. Representam muito pra mim. Talvez você as entenda.

"Tudo tão raso, tão sem espaço. O meu lugar eu mesmo acho."

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade.

Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde

ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!


Clarice Lispector

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Mais pele e menos cor

Aspecto de pele perfeita, bem coberta, saudável, transparecendo brilho e luminosidade é o toque de inspiração para as tendências de maquiagem para este ano que está só começando. Evidencia-se a pele na cor que ela é, sem o apelo tão exagerado dos tons bronzeados que já alguns anos vêm se arrastando no entra-e-sai do modismo, sem nem sequer prestar atenção se pode ou não se usar, tendo como princípio a cor natural da pele de cada um.
Desta vez, a cor nos olhos, sempre ocupado pelas sombras, cede lugar ao contorno bem delineado ou mesmo esfumaçado e, as vezes, acompanhado de algum tom de cor mais cítrica. A boca de forma clássica vem novamente preenchida com cores fortes como o vermelho, vinho, fucsia e outras, tendo, obrigatoriamente, os lábios bem desenhados em seus contornos.
É isso! Literatura, poesia, histórias, arte, moda e maquiagem, tudo forma um mesmo universo que cabe neste blog, onde a gente pode palavrar sobre tudo e ser cada vez mais divertido.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Yves Saint Laurent

Belle d'Opium é o nome da nova fragrância de Yves Saint Laurent para 2011, trazendo uma outra versão de um clássico perfume que causou muita polêmica quando foi lançado nos anos 70.
É sempre lindo ver a marca com suas criações que ainda mantém vivo o espiríto do grande artista que foi Saint Laurent.

SPFW outono/inverno 2011

Pra mim este é o cara mais talentoso, criativo e que tem o trabalho mais genuíno dentro da moda brasileira: Ronaldo Fraga na semana de moda de São Paulo, janeiro de 2011.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Adélia Prado, essa mulher que descobri

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
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No dia do meu casamento fiquei muito aflita.
Tomamos cerveja quente com empada de capa grossa.
Tive filhos com dores.
Ontem, imprecisamente, às nove e meia da noite,
eu tirava da bolsa um quilo de feijão.
NÃO LUTO MAIS DAQUELE MODO HISTÉRICO,
ENTENDI QUE TUDO É PÓ QUE SOBRE TUDO

POUSA E RECOBRE E AO SEU MODO PACIFICA.
As laranjas freudianamente me remetem a uma fatia de sonho.
Meu apetite se aguça, estralo as juntas de boa impaciência.
Quem somos nós entre o laxante e o sonífero?
Haverá sempre uma nesga de poeira sob as camas,
um copo mal lavado.
Mas que importa?
Que importam as cinzas,
se há convertidos em sua matéria ingrata,
até olhos que sobre mim estremeceram de amor?
Este vale é de lágrimas.
Se disser de outra forma, mentirei.
Hoje parece maio, um dia esplêndido,
os que vamos morrer iremos aos mercados.
O que há neste exílio que nos move?
Digam-no os legumes sobraçados e esta elegia.
O que escrevi, escrevi
porque estava alegre.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Antes do dia partir

Devo me empenhar em não deixar o dia partir inutilmente.
É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava ermo dentro da gente.
Já para algumas pessoas ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida. Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.
Nas últimas semanas meus dias foram salvos por detalhes que eu só reconheço agora. Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim. Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria. Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele. Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar. Na sexta, o dia não partiu inutilmente só por causa de um cachorro-quente. E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.
Claro que têm dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas arrastam-se melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado. POIS ESTOU PRA DIZER QUE ATÉ A TRISTEZA PODE TORNAR UM DIA ESPECIAL, SÓ QUE NÃO FICAREMOS SABENDO DISSO NA HORA, E SIM LÁ ADIANTE, NAQUELE LUGAR CHAMADO FUTURO, ONDE TUDO SE JUSTIFICA. É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã.

Martha Medeiros, Abril de 2000

domingo, 2 de janeiro de 2011

O Brasil de Macabéas

Não sou um cara partidário, mas na medida do possível tento ser um indivíduo politizado dentro de um país majoritariamente ainda imerso na ignorância da consciência política que nos achata e nos impede de pensar. Exercer raciocínio é um exercício constante de dedicação, na tentativa de pertencer a uma nação, sociedade, de ser cidadão, enfim. Agora neste momento de transição política onde teremos mais quatro anos de um novo governo, com a presidenta, estabeleceu-se mais uma vez a força histórica e democrática, para os que votaram e para os que não votaram nela. O Brasil quis a Dilma, agora ela é de todos nós! Torço para que ela governe para toda "essa gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta."
Acho que a grande transformação do governo que se encerra foi o legado de auto-estima que Lula deixou de herança para nós brasileiros; deu identidade a tantos e tantas Macabéas que não tinham tido a devida oportunidade, vendo nele uma referência do homem igual a eles mesmos, que da situação de nordestino e inteligente operário foi alçado à condição de presidente da República. Ainda há muito que melhorar, crescer, superar...Sem mais subserviência, silêncio e conformismo. As macabéas estão por ai, ainda vivem e sofrem como a pobre heroína da história, torço para que esta legião não encontre a sua hora da estrela somente no momento da morte.