quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Vai, ano velho
Caminhos de luz e prosperidade a todos!
Vai, ano velho, vai de vez
Vai com tuas dívidas e dúvidas
Vai, dobra a esquina da sorte, e no trinta e um,
A meia-noite esgota o copo
A culpa do que nem lembro
E me cravou entre janeiro e dezembro.
Vai, leva tudo: destroços, ossos,
Fotos dos ausentes, beijos de atrizes,
Enchentes, secas, suspiros, jornais...
VADE RETRUM, vai pra trás!
Leva pra escuridão quem me assaltou
O carro, a casa e o coração,
Não quero te ver mais, só daqui a anos,
Nos anais, nas fotos do nunca-mais.
Vem, ano novo, vem veloz,
Vem em quadrias, aladas, antigas
ou jatos de luz modernas, vem,
paira, desce, habita em nós,
tenho pressa de novidade,
do que ainda estar por vir
Vem com cavalhadas, folias, reisados,
rezas, bençãos e mandingas, fitas multicores,
rabecas, vem com uva e mel, e desperta
em nosso corpo a alegria.
Escancara a alma, a poesia, e por um instante,
estanca o verso real, perverso
e sacia em nós a fome de utopia.
Vem na areia da ampulheta, no tempo que corre,
estando em nós, ausentes ou presentes
como uma semente que contivesse outra semente
ou do umbigo da gente como um ovo.
O sol, a gema do ano novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.
Adeus, tristeza: não te quero mais,
Até nunca mais!
A vida é uma caixa chinesa
de onde brota a manhã.
Agora é recomeçar.
A realidade é urgente.
Entre flores e sementes
é permitido sonhar.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
O burro
Tenho pensado muito sobre ele.
O burro é tão burro que não percebe que perde muita coisa na vida e, sobretudo, tempo em não se esforçar em buscar a inteligência.
O burro é antes de tudo vaidoso.
Falta humildade no ser.
Ele não percebe o quanto ele não está bem.
A burrice tem um pouco de mau caratismo.
O burro se convence de que é inteligente, quando na verdade nem sabe o que sente.
Há um misto de ódio, raiva e compaixão de quem o assiste.
Ele não sabe, mas no fundo é um tolo que espera ser aplaudido e nada tem de inocente.
Annick Goutal
Esse é o nome de uma das marcas de maior prestígio e exclusividade no mundo da perfumaria. Annick Goutal, pianista francesa que morreu aos 53 anos, deixou um belíssimo legado de requinte e bom gosto impresso nas suas fragrâncias, que retratam com elegância e beleza várias fases de sua vida, desde a infância até a fase adulta.O que nos resta de humanos?
A HOMOSSEXUALIDADE é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.
Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência a mulheres e a homens homossexuais. Apesar de tal constatação, esse comportamento ainda é chamado de antinatural.
Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (leia-se Deus) criou os órgãos sexuais para a procriação; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).
Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?
Se a homossexualidade fosse apenas uma perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.
Em alguma fase da vida de virtualmente todas as espécies de pássaros, ocorrem interações homossexuais que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.
Comportamento homossexual foi documentado em fêmeas e machos de ao menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.
A homossexualidade entre primatas não humanos está fartamente documentada na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no "Journal of Animal Behaviour" um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre os machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.
Masturbação mútua e penetração anal estão no repertório sexual de todos os primatas já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.
Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas.
Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por mero capricho. Quer dizer, num belo dia, pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas, como sou sem-vergonha, prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.
Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.
A sexualidade não admite opções, simplesmente se impõe. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.
Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países o fazem com o racismo.
Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais que procurem no âmago das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal aceitam a alheia com respeito e naturalidade.
Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.
Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser nazistas a ponto de pretender impor sua vontade aos mais esclarecidos.
Afinal, caro leitor, a menos que suas noites sejam atormentadas por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu por 30 anos?
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sei lá
A causa da criatividade artística, da genialidade intuitiva ou de alguma peculiar expressão de arte tem sua explicação nas somas genéticas dos pares cromossômicos, no talento lapidado através da disciplina ou da vocação inspirada pelas mãos de Deus? Não sei exatamente. Talvez seja dado ao conjunto destes três fatores a resposta para esta sentença, mas o que consigo mesmo explicar e de forma bem simples, sem recorrer à nenhuma questão matemática ou científica é que, desde a primeira vez que o ouvi (sem ver o seu rosto) cantando, ainda criança, um sucesso atual da cantora Whitney Houston naquela metade dos anos 80, e sem que ainda me virasse para ver de quem partia aquela voz, já chorava sem saber ao certo o motivo, entendi que o verdadeiro significado de talento é o que consegue nos fazer emocionar, sem que para isso passe, imediatamente, pelo filtro da razão, porque como já disse o poeta, também acredito que "o coração sabe reconhecer a alma dos grandes artistas".
Ao amigo e artista Ricky Vallen, meu coração e minha alma reconhecidamente te aplaudem!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Os albinos da Africa
Somos seres que ainda caminhamos para o humano ou nos esquecemos de brotar?
Autoridades do Burundi, um pequeno país no centro da África, encontraram no final de semana o corpo de um garoto de nove anos que estava desaparecido.
O cadáver estava desmembrado. Órgãos vitais haviam sido removidos, e a carcaça de seu corpo foi abandonada num rio na fronteira do Burundi com a Tanzânia. Mais um caso de violência como inúmeros que ocorrem diariamente no continente, não fosse pelo detalhe macabro: ele era albino.
O albinismo, decorrente da falta de pigmentação na pele, é especialmente cruel com os africanos. Em qualquer lugar do planeta pessoas albinas chamam a atenção. Na África, por motivos evidentes (o contraste com a pele negra é maior), muito mais.
Some-se a isso a dificuldade que é viver num ambiente de clima tórrido e com sol a pino 365 dias por ano como é a África central. Pessoas sem pigmentação na pele precisam tomar cuidados extras para não adquirir câncer de pele.
Albinos são uma minoria discriminada e perseguida em todo o continente. Em centros urbanos de grandes países, sofrem preconceito. Mas pode ser pior, como mostra o caso do garoto do Burundi.
Em regiões da África central, há uma caçada por partes do corpo de um albino para uso em rituais de bruxaria. Acredita-se, sobretudo em zonas rurais, que o cabelo, a pele, o sangue e órgãos como coração e fígado têm poderes rejuvenescedores, ou que trazem riqueza. Quanto mais jovem (“pura”) for a a vítima, maiores seriam os efeitos.
O problema é mais sério em dois países: Tanzânia e Quênia, mas atinge toda a região. Burundi, Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo também registram casos frequentes.
Em 2008, uma investigação da rede britânica BBC constatou o assassinato de 25 albinos na Tanzânia no período de um ano.
O número é assustador, como indica uma conta rápida. O gene do albinismo afeta 1 pessoa em cada 20 mil.
Na Tanzânia, país de 40 milhões de pessoas, haveria portanto cerca de 2.000 albinos. A morte de 25 deles significa 1,25% desse universo assassinado em apenas 12 meses. Uma enormidade, considerando-se que nos países mais violentos do mundo a taxa de homicídios chega no máximo a 0,15% da população por ano.
Os crimes em geral são obra de gangues especializadas agindo em conluio com policiais corruptos.
A viúva de uma vítima relatou à BBC que seu marido foi morto à luz do dia, retirado de sua casa por dois homens com facões que começaram a mutilá-lo no ato. “Queremos suas pernas!”, gritavam.
A boa notícia é que hoje se presta mais atenção a esse drama, muito em razão da pressão internacional. Albinos nas regiões mais afetadas se organizam em associações, e estão sempre em contato.
As prisões aumentaram. Em agosto, uma pessoa que tentava vender albinos foi condenada a 17 anos de cadeia no Quênia. Na Tanzânia, o Parlamento tem agora sua primeira deputada albina, nomeada pelo presidente para dar uma voz a essa minoria.
Passos positivos, mas tímidos. Como mostra o caso do garoto de Burundi, o que vai mudar a situação é um misto de repressão e educação, o que leva tempo.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
João Rubinato
O trem das 11 que nunca existiu que ia para Jaçanã, na memória de todos que admiram este cantor de rádio que também foi ator humorista, sempre será uma forte referência ao bom e velho samba paulistanês brasileiro.
Salve o samba! Salve Adoniran!
sábado, 30 de outubro de 2010
L'amour fou
sábado, 23 de outubro de 2010
O analfabeto político
Leiam o que já dizia Bertold Brecht, dramaturgo e poeta alemão do início do século XX, sobre a importância do voto numa sociedade democrática e como nós, brasileiros, ainda o menosprezamos sob a alegação de que nada muda e que política está sempre distante de nós e não nos pertence. Sábias palavras:O pior analfabeto é o analfabeto político.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
34º Mostra Internacional de Cinema
É sempre uma ótima e imperdível oportunidade de assistir e conhecer uma variada gama de filmes vindo dos mais diversos países (incluindo as produções nacionais, claro) que só chegam por aqui através deste evento que, definitivamente, já entrou para o calendário da cidade.
Vejo você lá e depois coloco "post" do que vi com meus comentários.
Confira a programação por aqui:
http://br.mostra.org/
sábado, 16 de outubro de 2010
Fora do eixo
Nem dá tempo de me explicar
Diz bobagens de cair o queixo
Será que não posso me atrasar
Cinco minutos cheguei atrasado
Já recebo apelido engraçado
Desgraçado é palavra de luxo
Neste seu vocabulário sujo
Me irrito e digo que cansei
Você fala quem cansou fui eu
Não aguento mais ficar aqui
Você fica nervosa, entra na minha frente
E me diz que não sou nem besta de sair
E depois de ouvir tantas besteiras
Me morde as orelhas e quer me beijar
E diz tantas coisas sem nexo
E depois já quer sexo e começa a gritar
Vagabundo, safado, traíra
Acabei minha ira eu só sei te amar
Hugo Pena e Gabriel
O que não presta mais
Cada dia que passa penso mais em não saldar as coisas que tenho
Não quero mais expô-las em saldões ou em bancas de xepa
Quero ter o melhor de tudo que eu mesmo posso me proporcionar
O melhor das frutas, dos legumes, dos homens
dos amores, dos gozos, do dinheiro
Com a sorte a temperar tudo
Ser pechinchado requer muita humildade
E isto eu ainda não trago tão dilatado em mim
Polir a velha mobília escondida do antiquário até que ela me surpreenda como o mais belo objeto que mereça exposição
Resgatar a velha peça esquecida de um brechó
Trabalhando-a com muita água, OMO e sol pra secar
Deixando-me, ao vestir, até capaz de ser notado
Quero de uma vez por todas suspender as liquidações, promoções e SALE's do que não sei
Serei comigo mesmo e com a minha vida um bom cliente:
Daqueles que sabe escolher o melhor dos produtos
sempre fazendo cara de quem entende tudo
Mas para isso revejo os preços, avalio a mercadoria que transporto, valorizo-me no mercado até que subam as ações
e a procura seja maior que a oferta que irei anunciar.
Definitivamente, tenho sempre mais a ganhar!
Coloco tudo na prateleira:
O melhor molho para tempero da vida
(com humor, sazon e acidez controlada)
Miolos frescos para consumo das melhores idéias
Coração recheado de sentimentos
Carne de segunda mas que tem o melhor sabor (como todos sabem)
Nada de picanhas e filés, que além de discutíveis no paladar, ainda não são tão acessíveis
Assim me organizo por dentro para comprar melhor
Olhando sempre o vencimento, porque um dia
tudo e todos vencem, sem lamento.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Cores, aromas e Yves Saint Laurent
Agora fazendo parte deste universo de moda, cores, perfumes e muitos, muitos aromas de perfumes, me convenci de que jamais sai de onde sempre estive. Como no conto do livro O Deus das pequenas coisas, onde a autora descreve com sutileza e riqueza de detalhes vários fatos e situações que marcaram a sua infância em uma pequena cidade da India, através das cores e dos aromas de perfumes e temperos que a marcaram, eu assim me vejo novamente imerso neste universo das sutilezas, da beleza e do que a moda pode revelar através da criatividade e da história de alguém. terça-feira, 4 de maio de 2010
Doe palavras
As mensagens compiladas nesse projeto vão se transformar em um livro, que será doado a diversos hospitais. Muitas vezes o que o paciente mais precisa é acreditar na cura.
É facil e a gente pode ajudar!!! O link do #doepalavras é:
http://www.doepalavras.com.br/
Ditadores medrosos



O mouse, como símbolo da liberdade de expressão e de informação, virou uma ameaça para estes líderes internacionais, ao ser transformado em um poderoso ícone na premiada campanha publicitária intitulada DITADORES MEDROSOS, produzida pela agência Ogilvy & Mather, de Frankfurt, para a Sociedade Internacional para Direitos Humanos, organização nao governamental alemã criada em 1972 para "atuar contra as injustiças por trás da cortina de ferro", expressão que englobava a então União Soviética e seus domínios. Esta realidade se foi, para a felicidade de todos, mas os abusos contra os direitos fundamentais multiplicaram em outras partes do mundo. Daí a idéia de mostrar três conhecidos donos da verdade apavorados diante de um rato-mouse de um computador. Hugo Chávez, da Venezuela, Raul Castro, de Cuba e Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, erguem o pezinho, sobem na mesa e fazem cara de pânico diante do pequeno objeto que representa a praga das suas lideranças e existências - informação à vontade. Eles que perseguem os que ousam confrontá-los, ofendem o senso de justiça e liberdade de toda a humanidade e parecem inamovíveis.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Consciência eleitoreira
Chega dessa letargia democrática a que quase estamos nos acostumando, sem nada fazer, participar ou cobrar, simplesmente satisfeitos por pertencermos a um estado de regime democrático.
A indignação é sintoma dos que ainda vivem!
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Vinícius de Moraes

Grande notícia esta: depois de muitos anos de trabalho e dedicação, a família do poeta Vinícius de Moraes conseguiu organizar e catalogar toda a obra do artista, em um acervo online no site que leva seu nome. Entre textos, poemas, músicas, letras inacabadas, desenhos e artigos sobre cinema, o conjunto é, sem dúvida, um grande presente para todos que gostam de arte e admiram a linda contribuição que Vinícius deixou como herança cultural para todos nós.
E como exemplo de grande generosidade, a família ainda disponibilizou o catálogo completo com todos os textos e poemas do compositor para a biblioteca virtual da USP, a BRASILIANA USP, com direito a download gratuito; exceção na rede, onde a obra destes grandes artistas fica protegida por lei tendo sua reprodução totalmente impedida.
Salve, salve Vinícius de Moraes!
Site Brasiliana USP
http://www.brasiliana.usp.br/
Site oficial Vinícius de Moraes
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Bullying
Quantas crianças passam por este sofrimento e nada falam, guardando para elas palavras de humilhação, maus tratos, perseguições que não acabam e até a violência física, sem coragem de revelar aos seus pais estas tristes histórias; justamente para eles que devem proteger e cuidar da integridade física e emocional de seus filhos.
Elas (as crianças) nem fazem idéia do que seja BULLYING, mas têm a perfeita e exata noção que o sofrimento que isto provoca é suficiente para lhes roubar o sorriso, o ânino, a espontaniedade própria da idade, alegria e até a vida, porque não raro, muitas atentam contra a sua própria.
Que triste e feia analogia: CRIANÇA e SUICÍDIO.
Segue link do Instituto ALANA, onde há vários artigos sobre educação e um em especial que peço que leiam, com o título "As escolas fecham os olhos ao bullying", onde Allan Beane, um dos maiores especialistas em violência entre estudantes, concede uma entrevista muito esclarecedora, entre outros também muito interessantes sobre o mesmo tema.
Reflitam e propaguem a notícia de forma consciente.
http://migre.me/z1Qx
5X favela
O resultado é incrível e, por isso, acaba de ser selecionado para o Festival de Cannes.
Enquanto existirem incentivos deste tipo, que oferecem uma oportunidade de trabalho, aprendizado e crescimento, que afaste os jovens da dura realidade do tráfico e das dificuldades sociais, haverá menos violência e chances de que eles se percam por outros caminhos como único meio de sobrevivência (ou não), uma vez que o Estado, lamentavelmente se esqueceu de prover o mínimo necessário ao progresso de um povo - a educação.
terça-feira, 20 de abril de 2010
festa Robbie

É o risco do abismo, o corte certo, a estrada deserta, o farol direto na cara.
Curvando-me diante da fraqueza, fortaleço minhas defesas em saber quem sou.
Lamber o doce veneno da vida,
escalar o Everest de patins,
fazer cócegas com a navalha,
beijar a víbora na boca,
jogar paciência no precipício,
me perder no meio do fogo
e cruzar as chamas sem ser visto,
esquentar marmitas no vulcão,
dançar ao som de um trovão,
fazer do relâmpago a rabiola da pipa,
surfar na tsunami.
Preciso de um sopro de alegria.
Que a vida seja forte, lenta e intensa ao mesmo tempo, onde eu consiga enxergar na paisagem as mesmas cores de ontem que hoje vejo sem nitidez.
Persistir num ideal é, para mim, manter a coluna ereta e o coração cheio de sonhos, desejos e esperanças que se renovam ao sabor dos meus pensamentos.
Não, esta não é a vida que eu quis! É a vida que eu tenho, mas farei dela algo ainda melhor que nem eu mesmo imaginei.
"Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
Receba em teus braços meu pecado de pensar."
Clarice Lispector
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Morte e vida severina
Que é a morte que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia..."
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Começa hoje a 36ª edição do mais antigo festival de cinema de São Paulo, Festival SESC Melhores Filmes. Este ano o projeto inova disponibilizando sua programação com serviços que possibilitam o acesso a deficientes visuais e auditivos com a audiodescrição e a legenda open caption. As exibições se concentram entre os dias 08 e 29 de abril no CineSesc, no total de 300 filmes concorrentes, entre eles eu destaco Bastardos Inglórios, A festa da menina morta de Matheus Nachtergaele, A onda e Hotel Atlântico (com os incríveis atores João Miguel e Gero Camilo) de Suzana Amaral, a mesma diretora de A Hora da Estrela, 1985, filme sobre a obra homônima de Clarice Lispector. Segue ai o link pra quem quiser conferir:
http://migre.me/uD8p
quarta-feira, 31 de março de 2010
Nuvens de chumbo
Hoje, dia 31 de março, faz duas décadas que o Brasil foi invadido pela nuvem negra do golpe militar de 1964.Esta data não deve se apagar das nossas memórias (não importa se você foi um dos que não viveu o período); a gente não deve se cansar de jogar luz encima desta lembrança que modificou o pensamento e o comportamento do nosso povo. As cicatrizes ainda estão ai expostas nas recordações, na história do país e na vida das pessoas que sentiram o amargo gosto do cego totalitarismo dos velhos chefes e generais.
Quem se interessar mais estude a nossa história para entender como tudo começou e o que o Brasil se tornou naqueles difíceis anos de opressão, ditadura e militância política dos aguerridos do povo.
Acho que as novas gerações que vieram após este triste episódio, têm se mostrado mais tolerantes e permissivas com os erros e a desfaçatez pública dos nossos governantes. Os nossos antecessores reagiram no mesmo tom da ignorância dominante da época, mas não é porque as coisas melhoraram neste sentido que temos que nos calar e seguirmos como mansas ovelhas na fila da tosquia. Se a violência cala, conservemos em nós a indignação, a capacidade de discernir e, sobretudo a força justa do grito.
"...viver ta me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais." (Moska)
sábado, 27 de março de 2010
Se o homem é realmente resultado do meio em que vive, seguindo a bandeira da análise sociológica, devemos nos alegrar pela nossa doce loucura que não nos permite ferir, matar, torturar e depois ainda "gozar". Preservemos a nossa moral intacta ou em permanente contrução, buscando construir em nós sentimentos mais próximos do amor e cada vez mais distantes do lado negro que procuramos neutralizar. Digo isso para os homens conscientes da sua fraqueza e mais dedicados a polir o material precioso que carrega dentro de si, dando forma e lustrando para que ele aumente sua luz e seu brilho.
Malucos beleza pela paz.
Malucos beleza pelo bom convívio entre diferentes e iguais.
Malucos beleza à favor da tolerância.
Malucos beleza pelo amor e a abundância.
Renato Russo, que hoje faria 50 anos, que deu música e voz pelo respeito e igualdade entre os homens, assim escreveu:
...É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há
Me diz, por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo...
E assim reflito: que eu consiga encontrar mais motivos para sorrir e, se por alguma razão a desilusão me visitar, que eu não me dedique a distribuí-la a ninguém e esteja em condições de encontrar o alívio naqueles que me olham com amor.
Canção grata
inquietação, cuidado
um pouco de ternura
é certo, mas tão pouca
Noites de insônia,
Pelas ruas como louca
Obrigada, obrigada.
Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia, aceita
A minha gratidão
Que bem que me faz agora
o mal que me fizeste
Mais forte e mais serena
E livre e descuidada
Sem ironia amor, obrigada
Obrigada por tudo o que me deste
Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia, aceita
A minha gratidão
Florbela Espanca
Preciosamente triste
terça-feira, 23 de março de 2010
Kick ass
segunda-feira, 22 de março de 2010
Água...desAgua em mim.Dia mundial da água. Toda essa água que nos cerca, inunda a nossa vida ainda é tão mal tratada. Somos homens mal educados. Nunca aprendemos muito bem a cuidar do nosso próprio corpo (que é composto por quase 70% de água), em repor e manter esta água que hidrata, purifica e trás saúde. Só pela ausência e necessidade nos lembramos dela, quando ele próprio -nosso corpo - nos alerta que precisamos consumí-la. Que dirá da água que está fora de nós, que nos serve como recurso infinito de bens!?
Ainda boiamos na perene idéia de que somos eternos privilegiados de termos nascido e vivermos em um território onde ela é só abundância e inesgotabilidade, e assim nem ligamos, a maltratamos: é através da mangueira de um quintal que ela se esvai sem perda de tempo nos ralos, nas ruas esburacadas ou no asfalto sempre imundo, no banho que insistimos que seja longo como se servisse para lavar o corpo e purificar a alma, nas pequenas gotas que caem lentamente dentro das nossas casas à espera de uma manutenção que nunca vem, na irresponsabilidade de indivíduos/cidadãos que pertencem à uma coletividade onde a água que pagamos pelo consumo é a mesma que serve a todos, sem predileções. Pequenos erros de gente comum num mostruoso reflexo para TODOS, isto sem mencionar a ação de empresas, indústrias, hidrelétricas, usinas, que demoram a entender que, sem a água limpa e renovada, nada pode ser construído sob o cenário da globalização já tão cansadamente discutida. O que pretendemos?
Ahhh...um dia ela se enche disso tudo e se revolta contra nós, e ai de nós!
Se cansa e cessa de fornecer a nós, seus filhos ingratos, o único bem que a vida não nos cobra para a nossa sobrevivência.
Essa Mãe generosa se magoa também!
Veja quanta sujeira lhe oferecemos em forma de gratidão! Gratidão!? Que gratidão?
Vocês todos, diz ela, me devem a saúde, a alegria, o alívio da sede, as viagens marítimas, os passeios cheios de sonhos, os banhos quentes de mar, a maresia no rosto, o bailado das ondas, a luz da energia que ilumina e conforta, o alimento, a beleza, enfim...a vida!
Sois gratos? Pergunta cerimonialmente a mãe desse planeta que ainda é azul.
Façamos a nossa própria reflexão e vejamos por onde podemos recomeçar ou, se der, consertar.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Uganda e a lei de pena de morte para gays
*Pé na África é nome da coluna do jornalista.
PÉ NA ÁFRICA - Por que a família tradicional de Uganda está sob ameaça?
DAVID BAHATI - Nossa tradição diz que a família é chefiada por um homem e uma mulher. Se nós não protegermos isso, há o perigo de termos famílias chefiadas por dois homens, ou duas mulheres. Temos nossos valores. Isso não inclui a homossexualidade. Nós acreditamos que a pessoa não nasce com isso. É algo que é aprendido, e tudo que é aprendido pode ser “desaprendido”. É como aprender a fumar. Eventualmente, se torna um vício. As pessoas aprendem a abusar das drogas.
PÉ NA ÁFRICA - O sr. está dizendo que as pessoas ficam viciadas em homossexualidade?
BAHATI - As pessoas aprendem [a serem gays] e ficam viciadas nisso.
PÉ NA ÁFRICA - E é possível “desaprender” a ser homossexual?
BAHATI - Elas podem “desaprender”, podem ser curadas.
PÉ NA ÁFRICA - O sr. diz isso baseado em quê?
BAHATI - Há muita evidência disso. Há cientistas que estudaram isso.
PÉ NA ÁFRICA - O sr. pode citar um?
BAHATI - Há um sueco, que investiu muito dinheiro no estudo disso. Mas há outro ponto: se você é homossexual, você tem três vezes mais chances de contrair HIV do que um ser humano normal.
PÉ NA ÁFRICA - Quem diz isso?
BAHATI - Pesquisas sobre a Aids. Além disso, a homossexualidade pode reduzir a expectativa de vida em quase 20 anos. Você pode destruir seu reto. Alguns precisam usar fraldas, como crianças.
PÉ NA ÁFRICA - O sr. também tem evidência científica disso?
BAHATI - Há evidência abundante. Você pode pesquisar em qualquer boa biblioteca, na internet.
PÉ NA ÁFRICA - O sr. pode me dar o nome de um cientista?
BAHATI - Posso te mandar depois. Não tenho aqui agora.
PÉ NA ÁFRICA - A vida sexual não deveria ser uma questão privada?
BAHATI - Em Uganda, há uma tendência que ameaça nossas crianças. Vemos pessoas usando dinheiro para recrutar crianças em escolas e promover uma agenda de homossexualidade. Qualquer sexo entre homem e homem não é sexo, é abuso do sexo.
PÉ NA ÁFRICA - Muitos países avançados vivem bem tendo gays, como EUA, Canadá, países europeus. A sociedade deles não parece ameaçada. Por que seria diferente em Uganda?
BAHATI - Não é certo que o tecido moral dos EUA, Reino Unido ou África do Sul esteja bem. Não está. Foi totalmente destruído.
PÉ NA ÁFRICA - Por quê?
BAHATI - Se o homem se desvia do caminho para o qual Deus o criou, há algo de errado. Deus nos criou para nos casarmos e para a procriação.
PÉ NA ÁFRICA - Por que o sr. incluiu a pena de morte para alguns casos?
BAHATI - Essa é uma proposta ainda. O ponto-chave é focar no princípio do projeto. O ponto é: a homossexualidade é correta?
PÉ NA ÁFRICA - Quando o sr. pede pena de morte para “criminosos seriais”, quem define o que é isso?
BAHATI - É uma pessoa que já foi condenada por homossexualismo. É um cara mau.
PÉ NA ÁFRICA - Mas pena de morte?
BAHATI - Vamos focar no núcleo da proposta. Homossexualidade é um direito humano? Nós acreditamos que não deve ser.
PÉ NA ÁFRICA - Também se prevê pena de morte para quem administrar alguma substância “estupefaciente” a alguém antes de ter relação homossexual. Tomar uma cerveja antes do ato conta?
BAHATI - Estamos falando aqui sobre drogas específicas. Cerveja é droga?
PÉ NA ÁFRICA - Mas aqui se fala em “coisa” que cause esse efeito. Cerveja é uma “coisa”...
BAHATI - A lei será seguida pelo governo de maneira razoável.
PÉ NA ÁFRICA - Prisão perpétua para a prática da homossexualidade não é um exagero?
BAHATI - O que não seria duro demais? Que punição você daria para alguém que está tentando destruir nossas crianças?
PÉ NA ÁFRICA - Essa lei não pode ser usada de maneira abusiva? Bastará “acusar” alguém de homossexualidade...
BAHATI - Não temos história de abusar da lei.
PÉ NA ÁFRICA - Mas pode acontecer uma caça às bruxas...
BAHATI - Uma caça às bruxas acontece só quando alguém está fazendo algo certo. Se alguém está fazendo algo errado e é preso por um cidadão na rua, isso não é caça às bruxas.
PÉ NA ÁFRICA - O seu projeto defende abertamente a censura.
BAHATI - Sim. Nossas crianças devem acessar informação em TV, ou na internet, livre de conteúdo homossexual.
PÉ NA ÁFRICA - Quem define o que é isso?
BAHATI - O Estado deve estabelecer o que é bom ou mau.
PÉ NA ÁFRICA - Isso não é um retrocesso?
BAHATI - Não há liberdade absoluta. Mesmo o vento sopra numa direção.
PÉ NA ÁFRICA - Um jornalista em Uganda poderia escrever uma matéria num jornal sobre a Parada Gay de São Francisco?
BAHATI - Não, porque seria mostrar um lado positivo dos gays.
PÉ NA ÁFRICA - Mas seria apenas relatar que houve a parada. Não dizer que é algo bom, apenas relatar um fato.
BAHATI - Mas qual a razão para isso? Nada dessa bobagem será autorizada.
PÉ NA ÁFRICA - O seu projeto será aprovado?
BAHATI - 95% da população de Uganda é contrária à homossexualidade. Os deputados representam as pessoas. Temos apoio suficiente no Parlamento.
PÉ NA ÁFRICA - E o presidente?
BAHATI - Sei que o presidente não apoia a homossexualidade.
PÉ NA ÁFRICA - O que o sr. achou da reação internacional, inclusive do presidente Obama?
BAHATI - Temos grande admiração por Obama, mas não acredito que promover homossexualidade é a mudança que procuramos. É o mal que devemos combater. Os países desenvolvidos têm valores duplos. De um lado promovem democracia, de outro sufocam democracia. Esse projeto está passando por um processo democrático.
Assisto, leio e ouço muitas coisas e tento refletir sobre tudo que vejo e observo na vida, na parte que me cabe do meu limitado entendimento.
Este espaço aqui foi por mim criado, não como painel de vaidade, mas para que eu pudesse expor e escrever sobre tudo que me desse vontade ou fizesse sentido para mim. Assim como um velho diário, da qual sempre tive o hábito de usar, mais para as anotações do meu dia a dia do que como agenda de compromissos. Sendo assim, assistindo e observando a tudo dentro do meu campo das percepções, também sou expectador deste programa chamado Big Brother Brasil, compondo a massa de centenas de milhões de pessoas que também o seguem. Não me acho menos inteligente por assistir a este tipo de atração, tem lá o seu lado interessante, curioso, irreverente; sem esse lado, as vezes chato, do discurso antropológico do comportamento humano. Menos! Estou falando de um programa de televisão que muitos amam e outros odeiam, mas que é indiscutivelmente um polarizador de atenção e comentários.
O que me causa certo espanto (e nem deveria) são os comentários que as pessoas fazem a respeito daquelas figuras simbólicas que estão participando do programa e, que representam imagens arquetípicas da nossa sociedade, podem despertar em qualquer um de nós, identidade, carinho, aversão, simpatia, amor ou ódio. Isto fica muito claro quando dispõem nesta vitrine, figuras que estão distantes do falso desejo moral da sociedade - como uma dançarina de boite, uma policial desinibida em relação ao seu desejo sexual, um gay estilo emo maquiado, uma lésbica decidida e prejudicada pela exposição de uma mãe sem noção, e outro gay que tem o ofício de drag queen. "É demais num só programa", dizem alguns ou "Aonde já se viu...Pouca vergonha", dizem outros, e por ai vai toda a variedade de comentários que nem perderia o meu tempo em descrever aqui, pois mais que ofender aqueles que lá estão (refiro-me especialmente aos gays que se encontram na disputa da gincana), ofendem igualmente a todos que também não se escondem sob a culpa do desejo não permitido e da liberdade de poder SER sem serem julgados. Assumir-se é, sobretudo correr mais riscos e viver com coragem. Isto só sabe quem é igual, aos outros, agradeçam pela colher-de-chá.
Ontem o programa promoveu uma disputa acirrada entre os participantes para ganhar a liderança, onde ficaram expostos sob chuva, ventania, calor, frio, mudanças de temperatura, ao gosto do controle do público que votava através do site para que ocorressem estas oscilações. Pois bem, os únicos que persistiam na disputa depois de quase 13 horas de resistência eram Dicesar (a drag queen e maquiador) e Cadu (o bom moço educado, fofo e que toda familia queria ter). Instaurou-se o sadismo, o ódio e a violência! O público votava na mudança de temperatura e publicava seus comentários agredindo o gay participante com uma crueldade que me assusta, pessoalmente, com um profundo conhecimento de causa, infelismente. Fizeram a catarse. Soltaram os bichos! Comentários do tipo "viado tem que morrer", "morte a esta bicha de merda", e coisas do gênero. Até uma senhora dona-de-casa muito "fina" perdeu seu precioso tempo em escrever seu lisonjioso post: "se morrer, pelo menos será menos um...Cada um leva no buraco que tem." Tá de bom tamanho, não!? Meu blog não merece tanta ofensa escrita!
Crueldade, maldade humana, que por vir acompanhada de ofensas à sexualidade de Dicesar, não páram nele, estendem-se ao coletivo de gays (homens e mulheres).
Cansei por agora. Me despeço com a seguinte frase de Paulo Coelho - sim....dele mesmo: Paulo Coelho - BBB, Paulo Coelho...como disse, vejo, leio, assisto tudo; e tudo tem seu lado interessante quando sabemos extrair a sua melhor porção, escrevendo o seguinte:
"Quando alguém te ferir, reaja e depois perdoe, mas faça isso só com as pessoas que ama; para os inimigos: INDIFERENÇA."
Amor, paz e tolerância ao mundo!
quarta-feira, 17 de março de 2010
O que me constrange é a possibilidade de não existir
Quanta gente que existe sem aparecer!
Passam pela vida a maneira de zumbis
condicionados à sorte de alguém
sem conseguir enxergar o buraco ou o
trampolim à frente dos pés
Vêem de onde; vão para onde,
o que desejam, sonham com que?
Nem sequer sei se erram ou acertam
Eu da minha parte quero ter a consciência do erro
para depois poder errar mais
sabendo que o objetivo é o acerto,
me condiciono a fazer bem feito
É preciso sofrer, amar
Tem que doer, desejar
Pra ver é preciso ter olhos
mas para enxergar é preciso estar longe
até sentir de perto.
Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, pôr açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão.
quarta-feira, 3 de março de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Suspendo a fome e a vontade de ter
Devoro com palavras o silêncio do instante
Sem saber se era pra revelar ou esconder
Ardiloso tempo que me come por trás
Sem dar chance de me defender
Corre escondido as horas do nunca mais
E reconheço a vida que nunca vou ter
No estreito instante em que revejo o caminho
Pálida angústia de palavra e espinho
Ardiloso tempo que me come por trás
Sem dar chance de me defender
Corre escondido as horas do nunca mais
E reconheço a vida que nunca vou ter.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Vai, ano velho
Vai com tuas dívidas e dúvidas
Vai, dobra a esquina da sorte, e no trinta e um,
A meia-noite esgota o copo
A culpa do que nem lembro
E me cravou entre janeiro e dezembro.
Vai, leva tudo: destroços, ossos,
Fotos dos ausentes, beijos de atrizes,
Enchentes, secas, suspiros, jornais...
VADE RETRUM, vai pra trás!
Leva pra escuridão quem me assaltou
O carro, a casa e o coração,
Não quero te ver mais, só daqui a anos,
Nos anais, nas fotos do nunca-mais.
Vem, ano novo, vem veloz,
Vem em quadrias, aladas, antigas
ou jatos de luz modernas, vem,
paira, desce, habita em nós,
tenho pressa de novidade, do que ainda estar por vir,
Vem com cavalhadas, folias, reisados, rezas,
bençãos e mandingas, fitas multicores, rabecas,
vem com uva e mel, e desperta em nosso corpo a alegria.
Escancara a alma, a poesia, e por um instante,
estanca o verso real, perverso
e sacia em nós a fome de utopia.
Vem na areia da ampulheta, no tempo que corre,
estando em nós, ausentes ou presentes
como uma semente que contivesse outra semente
ou do umbigo da gente como um ovo.
O sol, a gema do ano novo que rompesse
a placenta da noite em viva flor luminescente.
Adeus, tristeza: não te quero mais,
Até nunca mais!
A vida é uma caixa chinesa de onde brota a manhã.
Agora é recomeçar.
A realidade é urgente.
Entre flores e sementes
é permitido sonhar.
